De tempos em tempos, aparecem pessoas que vêm à cena reclamar da diminuição de interesse pelas Humanidades. Como a expressão Humanidades está se distanciando de seus propósitos iniciais, talvez fosse necessária uma explicação introdutória, mas que eu vou deixar destroçada nas entrelinhas.
Antes, quero só dizer que, em nome de uma formação baseada no apelo ao clássico, no interesse por ritos imaginados como exemplos de moral e ética, a melancolia com que se atesta o fim ou o desinteresse pelas Humanidades vem se afirmar como uma crítica ao mundo de hoje. Antes, ao mundo baseado no capital e no industrialismo. Agora, ao mundo que emerge baseado na informação e no entretenimento.
Em resumo, quer dizer que não vivemos padrões de moral e ética adequados, aceitáveis, suportáveis e que nossa sensibilidade está aquém do que é adequado, aceitável e suportável, ou seja, que somos insensíveis, se considerarmos o modo de ver, de pensar e de agir de épocas passadas.
André Resende é escritor, autor de Mundo Enquadrado – o lugar dos símbolos nas coisas reais, ensaios (Altana, 2005), Amor Vário, romance (Altana, 2006), Quem disse sim, poesia (Cubzac, 2007), Maçã Caramelada, teatro (Cubzac, 2007) e Quem sou eu? (Cubzac, 2007).
Seus artigos e ensaios sobre comunicação, cultura e temas contemporâneos são publicados semanalmente em jornais, revistas e sites. Seu trabalho inclui ficção, poesia e teatro.